A SEGURANÇA EM ANDAIMES

not21A segurança em andaimes, na perspectiva do fabricante, envolve três variáveis, a certificação da empresa, a homologação do produto e o manual de montagem.

A qualidade do andaime fabricado e o cumprimento das normas de segurança são os dois factores mais importantes na prevenção dos acidentes de trabalho na montagem e desmontagem de andaimes na indústria e na construção.

A exigência, por parte dos clientes públicos e privados, de que as empresas fabricantes estejam certificadas e de que os produtos fornecidos sejam homologados, tem vindo a crescer e vai conduzir a uma redução drástica dos acidentes de trabalho.
O andaime fabricado deve utilizar matéria-prima homologada, definida na norma NP EN39:2002 e possuir as características exigidas pelas normas UNE-EN 12810:2005 e UNE-EN 12811:2005.Se o fabricante não conseguir demonstrar que o seu produto está preparado para responder aquelas exigências não está apto para fornecer o produto.

Estando o primeiro factor de risco eliminado, recai sobre as empresas instaladoras a responsabilidade pelo cumprimento das normas de segurança na montagem e desmontagem. O fabricante está obrigado a fazer acompanhar o produto vendido do respectivo manual de montagem, com as instruções gerais necessárias à utilização do produto. O instalador está obrigado a cumprir as normas indicadas no manual fornecido pelo fabricante.

É muito provável que surja a dúvida: estando as condições anteriores cumpridas – empresa fabricante certificada, produto homologado e montagem e desmontagem feita de acordo com o estipulado no manual de montagem – acabam as quedas mortais em andaimes? A resposta é quase um sim, mas… e o mas diz respeito a outros problemas que ainda não foram resolvidos.

O primeiro problema, refere-se à inexistência de legislação específica sobre a obrigatoriedade de formação profissional na instalação de andaimes. Como não existe formação, o recrutamento não obedece a qualquer critério de preparação técnica, absorvendo “especialistas” que não tenham medo das alturas, que sejam “pau para toda a obra” e de preferência em regime de trabalho temporário ou subcontratado. Outro problema é o estado dos equipamentos, muitas vezes obsoleto e sem condições de eficiência mínima. Deveria ser interditado utilizar material não galvanizado a quente e o fabricante deveria emitir uma garantia contra a corrosão não inferior a dez anos. Quantas vezes pegamos num tubo com bom aspecto exterior, mas ao inclinarmos um dos lados verificamos a queda de escumalha resultante da corrosão interior. Este produto não pode dar garantias de segurança e pode originar o colapso de toda a estrutura de andaime montada. Na verdade, só a galvanização por imersão a quente protege o interior e o exterior do tubo da mesma forma.

Finalmente, devemos considerar a inexistência de uma política de apoio à substituição dos equipamentos, por parte das entidades competentes, abrangendo as empresas de construção e também as empresas de aluguer e montagem que tem feito um esforço hercúleo para se modernizarem e se defenderem da concorrência estrangeira, melhor preparada, muito bem equipada e muito mais apoiada.

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